Um Apito Felino

por Fernanda Véga

Contei para Carla sobre um auspicioso encontro que tive outro dia  e ela me pediu que relatasse em conto… como negar algo a quem costumo chamar de amiga anjinha do propósito… então lá vai em breves palavras. 

Estava no corre-corre da minha vida parisiense nada glamorosa, indo pagar uma conta atrasada em um « banlieue » próximo. Passo por uma rua residencial e escuto um apito que logo percebo tratar-se de uma miada, e então, a curiosidade me levou…Dei de cara com o menor, mais enxovalhado e desprotegido filhote de gatinho do mundo. Fui capturada na cena – sair dali simplesmente não era uma opção – tempo contado… e agora? 
Pegar no colo tampouco era opção … inconcebível correr o risco de transmitir um “treco” qualquer para meu filho … além do mais, nem sei pegar gato no colo. Nunca fui ligada à causa dos animais…admiro, tenho grandes amigas mega ultra engajadas, mas, eu mesma, o máximo que faço é carinho bilu-bilu tetéia e tchau…

Minha mente ali era um pirilampo e o nano gatinho grudado no meu pé. O seu instinto sabia que eu era a sua única chance, e o meu instinto sabia que se eu o largasse ali teria apuros para dormir tranquila aquela noite. 15 minutos atônita e aparece um cara passando pela rua. Ufa! Chamei, mostrei o nano draminha e disse que não tinha coragem de pegar no colo. Ele pegou! Então, passava pela rua  mais uma senhora que se uniu àquela causinha felina enxovalhada e fomos os 3 bater nas portas das casas para tentar uma solução, um abrigo para o bichano. 

Conseguimos que uma senhora pegasse, TEMPORARIAMENTE e ela grifou: não teria como ficar com o filhote. Lembrei do grupo @brasileirasdeparis que sigo e admiro a composição e a moderação: são mulheres interessantes, empáticas… Em 5 minutos postei fotos e fiz o apelo « quem quiser adotar o gato mais ferradinho de Paris, já encontrou.». Foram inúmeros comentários e um «eu quero» ! Em 5 horas a Otilia estava com o gato em casa . Alguém que eu não conhecia e se transformou em amiga com a mesma rapidez com que resolveu adotar, quem depois descobri ser fêmea.

As surpresas não acabaram por aí. No quintal da senhora que abrigou a bolotinha enxovalhada tinha um outro nano gatinho mais ferrado de Paris, e pelo que foi dito, foi para lá desenganado, aparentemente irmãozinhos. Otilia, com seu coração gigante e completamente arrebata pela causa dos felinos desde sempre, pegou os 2.

Ela e Sérgio, seu marido, cuidaram, levaram no veterinário, deram toda a medicação (nada baratinha), amaram, mimaram. A gatinha que foi chamada Pistache morreu em 1 semana, de repente… tinha até reagido, mas não era para ser. O desenganadinho tá aí, é meu afilhadinho, foi chamado Moise, tem 2 irmãos felinos e era para ser.

Afinal, viver não é algo que se decida em uma olhadela. Temos que considerar o imponderável, o suspiro que se transforma em  uma força danada…e como me fez bem seguir aquele insight em forma de apito naquela manhã corrida  ! 

Esse é o Moise no colo da madrinha !

2 respostas para “Um Apito Felino”

  1. Ah minha filha, como sinto orgulho por você!
    Que pessoa linda você é.
    Seu texto me levou, à GRATIDÃO,
    a Deus,por me conceder a graça ,de ser sua mãe, e a todos que passaram por nossasvidas, deixando suas melhores essências, em nós.
    Amo você. Bjs mãe.

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