Propósito: As Rosas que habitam em mim…

No mesmo dia em que comecei a escrever esse artigo sobre propósito, me encontrei com essa parábola no site da Antroposofia de Rudolf Steiner, conteúdo muito inspirador que sigo nas redes sociais. 

Rudolf Steiner foi um filósofo, educador, artista Austro-Húngaro, que fundou a antroposofia, pedagogia Waldorf, agricultura biodinâmica, medicina antroposófica e a euritmia. Seus conceitos me acompanham há muitos anos, fazem muito sentido para mim, explicam muito sobre as experiências que eu vivo e me ajudam muito a apoiar outras pessoas em meus atendimentos como coach.

“A Parábola da Rosa”

Um homem plantou uma rosa e passou a regá-la constantemente. 

Antes que ela desabrochasse, ele a examinou e viu o botão que em breve desabrocharia, mas notou espinhos sobre o talo e pensou: “Como pode uma flor tão bela vir de uma planta rodeada de espinhos tão afiados?” 

Entristecido por este pensamento, ele se recusou a regar a rosa e, antes mesmo de estar pronta para desabrochar, ela morreu. 

Assim é com muitas pessoas. 

Dentro de cada alma há uma rosa: são as qualidades divinas. 

Dentro de cada alma temos também os espinhos: são as nossas faltas. 

Muitos de nós olhamos para nós mesmos e vemos apenas os espinhos. 

Nós nos desesperamos, achando que nada de bom pode vir de nosso interior. 

Nos recusamos a regar o bem dentro de nós e, consequentemente, isso morre. 

Nunca percebemos o nosso potencial. 

Algumas pessoas não vêem a rosa dentro delas mesmas. 

Portanto, alguém mais deve mostrar a elas. 

Um dos maiores dons que uma pessoa pode possuir ou compartilhar é ser capaz de passar pelos espinhos e encontrar a rosa dentro de outras pessoas. 

Esta é a característica do amor.

Aceitar aquela pessoa em sua vida, enquanto reconhece a beleza em sua alma e ajudá-la a perceber que ela pode superar suas aparentes imperfeições. 

Se nós mostrarmos a essas pessoas a rosa, elas superarão seus próprios espinhos. 

Só assim elas poderão desabrochar muitas e muitas vezes. 

Essa parábola me ajuda a explicar a minha crença sobre propósito, de uma forma bem simples: resgatar aquilo que há de melhor dentro de nós e que nos fortalece. Aquela nossa qualidade essencial e divina que é tão, tão natural e que muitas vezes não valorizamos e nem percebemos como algo poderoso. Conhecer o nosso propósito é reconhecer a nossa “rosa”.

É claro que existem “espinhos”, existem sombras e existem comportamentos que não gostamos em nós mesmos. Aceitá-los e integrá-los, sem cobranças e sem filtros é saudável e fará com que as nossas rosas brilhem e floresçam ainda mais….

Ambos existem em nossa vida, porque precisamos de contraponto. Afinal, o que seriam das rosas sem os espinhos? O que seriam das qualidades sem as faltas?

Isso me faz pensar que: olhar para a nossa rosa, valorizar seu perfume e ter consciência de como ela faz o mundo ficar mais bonito, é o melhor exercício que podemos aprender a fazer, por nós mesmos. E só assim, aprenderemos a olhar para os outros com essa mesma compaixão….percebendo seu perfume, compreendendo seus espinhos e permanecendo juntos para florear ainda mais o mundo.  

Gosto de citar um trecho do livro da Dra. Ana Claudia Quintana Arantes que diz: “Na compaixão, para irmos ao encontro do outro, temos que saber quem somos e do que somos capazes.” 

Falo de compaixão porque acredito que o propósito não é algo que acaba em nós mesmos. Não é aquilo que faço (apenas) por mim, para minha plenitude e para a minha felicidade. É aquilo que eu escolho fazer todos os dias e que impacta positivamente as pessoas à minha volta. É aquilo que eu devolvo para o mundo ou para a sociedade de forma produtiva, em agradecimento à minha existência.

Desde que vivi a experiência com o Purpose Mining Game e Mentoring em 2016, com o objetivo de me aprofundar no entendimento de meu propósito, senti muita vontade de compartilhar essa experiência com outras pessoas. Foi assim que nasceu o projeto SERALEGRIA: ele é uma forma de viver o meu propósito todos os dias e ajudar as pessoas a se conectarem ou reconectarem com as suas flores (suas forças, suas qualidades, suas virtudes, sua essência).

Eu acredito que é dessa forma que as pessoas se libertam e assumem quem são de uma forma leve e verdadeira. E assim, começam a perceber o que há de melhor nos outros também. 

Nessa trajetória, acompanhando todas as pessoas que passam pela experiência do jogo e do mentoring, tenho percebido e comprovado cada dia mais que, o nosso propósito mais profundo e verdadeiro está conectado com a nossa maior dor. Ou seja, quando conseguimos acessar, identificar e acolher o nosso espinho mais dolorido (nosso maior medo, aquela experiência que vivemos e que deixou marcas que tentamos evitar), podemos transformá-lo em nosso legado. A nossa dor ressignificada é o nosso propósito. Quando conhecemos, integramos e acolhemos o nosso maior e mais doloroso espinho, conseguimos com propriedade e por experiência própria inspirar outros a fazerem o mesmo. 

E como diria Carl Jung: “A vida acontece num equilíbrio entre a alegria e a dor.”

Tenho tido muita gratidão pela oportunidade de existir para criar um mundo com mais alegria e com pessoas livres para serem quem quiserem SER.

E você, qual é o seu propósito ?

França, 14 de setembro de 2019.

Fonte: A imagem que a acompanha a parábola é uma obra de Liane Collot d’ Herbois. Achei linda e delicada e compartilhei aqui com vocês!!

2 respostas para “Propósito: As Rosas que habitam em mim…”

  1. Lindo e sábio!
    Obrigada Carla! Você me encantou com o nosso encontro em sua casa.
    Seu propósito me alcançou, já fez a diferença em mim, e no meu contato com os outros.
    Bjs

    1. Regina,
      Foi uma benção ter você naquele encontro.
      Você é uma pessoa linda, cheia de sabedoria e generosidade!
      Que lindo saber que a nossa experiência vivida aqui, se expande e alcança outros através de seu contato!
      Muito obrigada pelo seu incentivo e depoimento!
      Um beijo enorme no coração.
      Carla

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